O artista enfrenta uma vulnerabilidade pessoal, ele nunca está seguro da sua vida, do seu trabalho. O artista nunca sabe se o trabalho é produzido pela mudança do mundo ou pela mudança da sua própria subjetividade. O artista é um viajante einsteiniano [que nunca sabe] se é o trem ou o espaço-tempo que se move, se ele é uma testemunha ou um homem de desejo. A atividade do artista é suspeita porque ela perturba o conforto, a segurança dos sentidos estabelecidos, porque é ao mesmo tempo dispendiosa e livre, e porque a nova sociedade que procura encontrar-se a si própria através de diversos regimes ainda não decidiu o que pensar.

Por Roland Barthes.