Odeio a maior parte das regras de nossa organização social. Considero antivida, com cheiro de mofo, todos os cânones comportamentais, o gosto da estética burguesa, a despersonalização do colonizado. A morna atitude de nossa nação mediocriza nossa experiência vital. Aí nossa cultura reflete esse cômodo respirar consumista, essa falta de diversidade. Nosso ambiente cultural se ressente, amesquinha-se. Ser artista aqui exige que se enfrente o solitário desejo pessoal de recusar, mudar, inventar, renovar. Cada vez mais estou menos interessada nos movimentos microcósmicos da sociedade. Cada vez menos cultivo ídolos. Cada vez menos acredito no best-seller. O senso comum está desmistificado no Brasil que para para ver novela. Que elege seus mitos com os mesmos parâmetros com que reclama, invariável e passivamente, do governo. Essa sociedade que se protege no útero do padrão. Cada vez mais estou mais anarquista. Cada vez mais me salvo pelo caminho pessoal, individual, único. Aos meus ex-alunos, sempre digo, se me perguntam o que fazer: inventem, porque há algo de podre querendo seduzir, os princípios estão rangendo. Trabalho pelas gerações que virão, não tenho a menor crença no resultado imediato.
Por Denise Stoklos.