Go Girl Go!

Quando comecei, fazia teatro num buraco, embaixo de uma escada. Fiquei sensibilizado com uma placa que vi em Londres: "theatre and toilets". Quando se está começando e não se tem nenhum recurso, se faz teatro do lado da privada. Isso é belo. Não há nenhuma crítica nisso. 

Por Patrice Chéreau.
fotografia de Rosano Mauro Jr. para o clipe Toda Bonita de Lemoskine.

Quando comecei, fazia teatro num buraco, embaixo de uma escada. Fiquei sensibilizado com uma placa que vi em Londres: "theatre and toilets". Quando se está começando e não se tem nenhum recurso, se faz teatro do lado da privada. Isso é belo. Não há nenhuma crítica nisso.

Por Patrice Chéreau.

fotografia de Rosano Mauro Jr. para o clipe Toda Bonita de Lemoskine.

Realidade e Enigma

São muitas as razões pelas quais eu sempre inseri o fantástico em meus filmes: a primeira é que eu creio profundamente em um mundo não paralelo, mas onipresente: somos cegos em relação ao mundo em que vivemos, que é quase fantástico. Não gosto de empregar certas palavras como “espírito”, “deus”, porque acho que as realidades às quais elas se referem são intraduzíveis em palavras. Sempre fico embaraçado quando se trata de empregar essas palavras, mas é verdade que eu tenho esse lado e em todos os meus filmes, se não há um elemento fantástico, há pelo menos um elemento enigmático, como se a gente nunca pudesse estar seguro de nada, e que, fundamentalmente, nunca soubesse o que é realidade.

Por Jean-Claude Brisseau.

Aventura

  • Rossignot: (...) A seu ver, o homem perdeu o sentido da vida?
  • Brisseau: É verdade que quando se vive em uma sociedade, a gente percebe que se vive em uma espécie de mentira e hipocrisia permanentes e que sempre se viveu assim. /Sempre convivemos com proibições, com tabus e o sexo é um deles. Apesar de uma grande exposição durante muito tempo, estamos voltando a uma concepção muito puritana. Mesmo quando a gente não é [puritano], há sempre uma parte de mentira. Essa parcialidade não está ligada apenas ao nosso inconsciente individual no sentido freudiano ou inconsciente social no sentido de Marx: nós temos nossos sentidos, todo nosso sistema de percepção que nos impede de ver realmente as coisas. /Eu queria fazer um filme sobre essa tomada de consciência, do fato de que afinal não sabemos nada e do pouco que sabemos há algo de extraordinário. Perdemos o hábito que tínhamos quando crianças de fazer perguntas sobre o sentido da vida: "por que vivemos?" etc. Quando nos tornamos adultos, começamos a esquecer essas perguntas e eu tinha interesse em retomá-las. O que não é muito fácil.
  • Jean-Claude Brisseau sobre seu filme A Aventura. entrevistado por Olivier Rossignot/2009.

Intimidade

  • Eichenberg: As cenas de sexo do filme, reais, cruas e comoventes, chocaram muita gente. Você se surpreendeu com o escândalo?
  • Chéreau: Fiquei, sim, chocado pela reação das pessoas que se chocaram. Acho bastante puro que os dois personagens se deem mutuamente amor. Isso é belo de ver. Não acho isso particularmente excitante. Acho que emociona, o que não é a mesma coisa. Em momentos em que as pessoas veem sexo chocante, como, por exemplo, quando ela o chupa -- o que é chamado por essa palavra horrível: "felação" -- vejo, ao contrário, a mais bela prova de amor. Os críticos dizem: "Ela faz uma felação nele". Mas nem todas as mulheres fazem isso num homem. Se não se é uma prostituta e se faz, é porque se ama realmente esse homem, é um verdadeiro ato de amor. Na mesma cena, ele quer fazê-la gozar, e ela recusa, diz que não é preciso. Isso também não se vê com frequência. Isso não é sexo; é amor. O mal-entendido está no fato de que os jornalistas viram pornografia nas partes em que mais vejo o amor, no filme. O mal-entendido é total. As descrições que foram feitas do filme não são fiéis. Elas refletem, infelizmente, as fantasias das pessoas que escreveram sobre o filme. Trata-se, talvez, de um mal-entendido obrigatório. O filme é novo no sentido de que não é casto e também não é pornô. Talvez esteja numa categoria um pouco inabitual. Mas não é um filme escandaloso. É uma pena tudo isso, mas não me tira o sono. Não me preocupo, porque meus filmes se valorizam com o tempo. Terei uma carreira póstuma magnífica.
  • Patrice Chéreau sobre seu filme Intimidade. do livro de Fernando Eichenberg/Entre Aspas.

Enriquecedor

Não é nada divertido permanecer autoritário toda a sua vida. Não é interessante. Se realmente pensamos que temos razão, melhor não dizê-lo. Temos de antes, prová-lo. Não devemos exigir. E podemos, mesmo, obter o que queremos sem pedir. Se nos enganamos, aí sim é preciso dizer. E, se mudamos de opinião, não devemos ter medo de dizê-lo. Devemos escutar os outros. E se achamos que eles estão errados, devemos tentar convencê-los, pela palavra, pela convicção mesmo, mas não achar que é assim e pronto. Pode-se sempre discutir, o que é sempre enriquecedor.

Por Patrice Chéreau. entrevistado por Fernando Eichenberg/2001.

Ser Grande

Peço ao caminhoneiro, /ao médico, /ao homem que está fazendo o meu casaco: /temos de tentar fazer tudo bem - /não importa o quê! /Não deveria haver mediocridade /nem nas construções /nem nas galochas. /Mediocridade é antinatural, /tão antinatural quanto a mentira. /Para ser famoso, /tens de ser atirado. /Não ser grande é uma vergonha! /Todo mundo tem de tentar ser grande.

Por Ievguêni Ievtushênko.

“You were wild once. Don’t let them tame you.”

—Isadora Duncan.

De Atriz para Atriz

Keep each person separate in your heart. Don’t have two sex patterns going at the same time. And don’t ever join a conversation about something you know nothing about.

Por Elsa Lanchester.

Ensaios de Mesa

link: “Quando a atriz se encontra nas palavras”. blog de Carolina Fauquemont.

As Atrizes Devem Saber

link: Fernando Eichenberg entrevista Jean-Claude Brisseau.
As mulheres são mais difíceis de excitar, porque veem o artificial, sabem quem é sincero ou não. Então as atrizes devem saber o que fazer.

Por Jean-Claude Brisseau.

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