Go Girl Go!

“Ousa tudo, nao tenhas necessidade de nada.”

—Lou Andreas-Salomé

foto de Marco Novack do clipe Toda Bonita/álbum Toda A Casa Crua/Lemoskine. lançamento dia 22 de fevereiro.

foto de Marco Novack do clipe Toda Bonita/álbum Toda A Casa Crua/Lemoskine. lançamento dia 22 de fevereiro.

“Estou bonita que e´ um desperdicio.”

—verso de Ana Cristina César.

A Vida Na Hora

A vida na hora. //Cena sem ensaio. /Corpo sem medida. /Cabeça sem reflexão. //Não sei o papel que desempenho. /Só sei que é meu, impermutável. //De que se trata a peça /devo adivinhar já em cena. //Despreparada para a honra de viver, /mal posso manter o ritmo que a peça impõe. /Improviso embora me repugne a improvisação. /Tropeço a cada passo no desconhecimento das coisas. /Meu jeito de ser cheira a província. /Meus instintos são amadorismo. /O pavor do palco, me explicando, /é tanto mais humilhante. /As circunstâncias atenuantes me parecem cruéis. //Não dá para retirar as palavras e os reflexos, /inacabada a contagem das estrelas, /o caráter como o casaco às pressas abotoado - eis os efeitos deploráveis desta urgência. //Se eu pudesse ao menos praticar uma quarta-feira /antes ou ao menos repetir uma quinta-feira outra vez! /Mas já se avisinha a sexta com um roteiro que não conheço. //Isto é justo - pergunto /(com a voz rouca /porque nem sequer me foi dado pigarrear /nos bastidores). //É ilusório pensar que esta é só  /uma prova rápida /feita em acomodações provisórias. Não. /De pé em meio à cena vejo como é sólida. /Me impressiona a precisão de cada acessório. /O palco giratório já opera há muito tempo. /Acenderam-se até as mais longínquas nebulosas. /Ah, não tenho dúvida de que é uma estreia. /E o que quer que eu faça, /vai se transformar para sempre naquilo que fiz.

Por Wislawa Szymborska. Poemas.

Nunca Desistir

Sempre achei que vou continuar sempre representando porque pertenço a essa gente do teatro, do cinema e do mundo de faz-de-conta que criamos. Sei que as noites de estreia são uma tortura, mas até isso nos une como uma família. Toda noite subimos ao palco e compartilhamos esse nosso mundo maravilhoso. E não devemos nunca desistir. Afinal, sempre haverá uma produção que precise de uma velha bruxa, especialmente por perto do Natal. E assim até o fim da minha vida estarei a postos.

Por Indrid Bergman.

Despedida

Existe algo de muito dramático, nostálgico e doloroso ao final de uma temporada. É um desespero tão grande quando vamos embora; é como se divorciar das pessoas que aprendemos a amar. E nos perguntamos: Será que voltaremos a nos encontrar?

Por Indrid Bergman.

Registro de uma das nossas doces memórias dessa rica temporada (Vigor Mortis + Thrillpeddlers) que chega ao fim: Tonight You Belong To Me. Carolina Fauquemont, Flynn de Marco (ukulele) e Rubia Romani. Leblon, 3 de fevereiro de 2013.

A companhia de teatro Thrillpeddlers de São Franciso, comemora com a Vigor Mortis seus 15 anos. Hoje no Teatro Nelson Rodrigues no Rio estreia Debutante Sangrenta./foto do livro Copacabana Dreams de Natercia Pontes.

A companhia de teatro Thrillpeddlers de São Franciso, comemora com a Vigor Mortis seus 15 anos. Hoje no Teatro Nelson Rodrigues no Rio estreia Debutante Sangrenta./foto do livro Copacabana Dreams de Natercia Pontes.

Somos testemunhas

O artista não deve ser juiz de suas personagens e daquilo que dizem, mas tão somente testemunha imparcial; a julgá-la serão os jurados, ou seja, o público, os leitores. Meu papel é apenas o de ter talento, de saber diferenciar os testemunhos importantes dos inúteis, de saber iluminar as personagens e falar a língua delas.

Em conversas com meus confrades escritores, insisto sempre no fato de que não cabe ao artista resolver questões estritamente especializadas. O artista só deve julgar aquilo que entende; sua esfera é tão limitada como a de qualquer outro especialista. Que sua esfera não comporta questões, mas apenas respostas, só pode ser dito por quem nunca escreveu ou quem nunca lidou com imagens. Ao exigir de um artista uma atitude consciente para com seu trabalho, você está certo, mas está misturando dois conceitos: a solução do problema e a colocação correta do problema. Só o segundo é a obrigação do artista. Ao juiz cabe colocar corretamente a questão, os jurados que decidam, cada um a seu modo.

Por Anton Tchekhov. cartas a Suvorin/30 de maio de 1888 e 27 de outubro de 1888.

Nao se compreende nada neste mundo

Já está na hora de as pessoas que escrevem, e principalmente os artistas, compenetrarem-se de que neste mundo não se compreende nada. (…) A turba acha que compreende tudo e que sabe tudo; e, quanto mais estúpida ela é, mais amplo lhe parece o seu horizonte. Se um artista, em quem a multidão acredita, tomar a decisão de declarar que ele não compreende nada do que vê, só isto já constituirá um grande saber no domínio do pensamento e um grande passo à frente.

Por Anton Tchekhov. carta a Aleksei Suvorin/30 de maio de 1888.

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